Cabeça de animal

4 out

São 20:21 do dia 04/10/2012 do Calendário Cristão, Salvador, Bahia, Brasil, América do Sul, Ocidente, Terra.

 

Começo esse blog com o registro formal da hora e local em que estou criando-o também com o intuito de introduzir no leitor o estilo com que pretendo colocar as minhas ideias. Achei importante, como normalmente acho em meus textos, frisar o fato de que essa classificação de tempo está vinculada ao Calendário Cristão, não sendo o tempo absoluto.

Parece meio absurdo a necessidade de explicar tudo isso, mas com a vida que vivi, com os costumes que fui criado, por muito tempo enxerguei o mundo como algo muito bem definido. O tempo era incontestável, as quartas- feiras eram e sempre seriam quartas- feiras. Não que elas não sejam, mas agora, para mim a quarta feira é um dia em que o Sol nasce e se põe como qualquer outro, e que para não nos perdermos no tempo definimos que existe um dia que teoricamente existe novamente a cada passagem de outros 7 dias. Um ciclo. Sim, isso é obvio e todo mundo sabe. A questão é que isso foi definido a milhares de anos atrás, como a própria data sugere, e não fomos nós que definimos. Então a quarta feira é uma verdade? Não posso falar que não existe quarta feira.

Confuso? Um pouco. Mas a questão é, e se não contestarmos nada? E se aceitarmos tudo como verdade? Sim, é bem possível se viver e ser feliz assim. Na verdade é bem fácil. Principalmente se as verdades entram em sua cabeça desde a sua primeira infância e você nunca se atenta a se perguntar: Pera aí, mas isso tudo aí ta certo? De onde é que veio essa história toda? Sendo uma história, para mim, veio de alguém. Eu não estava lá pra ver Jesus ser crucificado. Eu só vivi o tempo suficiente para que a Terra desse 24 voltas ao redor do Sol. Não vi o amor nascer e ser assassinado. Não vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados. Não vi Moisés cruzar o Mar Vermelho e muito menos vi Maomé cair na terra de joelhos. Mas me falaram sobre tudo isso e muito mais. Qual das mensagens passadas é correta? Não tem nada desse mundo que eu saiba de mais. No máximo sei que muito pouco ou quase nada eu sei.  Com tantos ruídos que existem na comunicação nos dias de hoje, não me espanta que hajam enormes ruídos e distorções no trânsito das informações ao longo do tempo, esse que nós criamos e definimos em um calendário. Essa é uma das coisa na qual eu acredito.

Quando fui começar a fazer o blog vi que havia uma indicativa de escrever algo que justificasse aos possíveis leitores a razão pela qual estou escrevendo. Escrevo pra falar sobre o que eu acredito e para trocar ideia com quem se interesse. Então fica a pergunta:

E você, acredita em que?

 

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2 Respostas to “Cabeça de animal”

  1. dania outubro 5, 2012 às 5:16 am #

    Very deep, interesting and logical thoughts. But I believe there isn’t a logical explanation to everything in life. Intuition is something that we as humans, or animals, feel within our body, mind and soul. I agree that if you are raised a certain way, you’re likely to follow that same regimen when you’re older but there comes a moment in everyone’s life where we each question our origin, our beliefs and the reason for our existence (independently from what we were taught as kids.) This is an ongoing process that changes and modifies our belief system as we go through life and its circumstances.

  2. T-bone outubro 5, 2012 às 5:29 pm #

    A quarta-feira pode até ser questionada, mas não façamos isso com as sextas nem com os sábados pelamordejah! rs.. alguns podem dizer que a ignorância é uma benção, assim não se busca as razões por crenças ou que podem até ser consideradas conhecimento e, assim, pode-se viver uma vida “feliz”. O ato de questionar é um exercício difícil, demanda frequentemente desprendimento de coisas que há muito se tornaram rígidas em nossas vidas. A felicidade, por sua vez, difere da alegria, pois esta, me parece, é o oposto da tristeza, ou seja, é um estado pontual de espírito, e a felicidade não pode ser considerada a mesma coisa… Vejo felicidade como um estilo de vida que para ser alcançado exige esse desprendimento de crenças sólidas e a aceitação do prórpio desconhecimento. Aceitação essa que não se adquire com a simples vontade de tê-la, mas exercitando-a. E assim é que vejo a iniciativa desse blog. Espero que possamos juntos tentar encontrar o tortuoso caminho do que é desconhecido e conhecido, ao mesmo tempo, exercitando assim o estilo de vida que tanto é desejado. À felicidade!

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